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30/10/2007 - Estudo revela quem ganha o quê na cadeia produtiva
 
O aproveitamento de praticamente 100% do boi pelos frigoríficos que acabam remunerando os produtores apenas com o valor referente à carcaça foi o tema central da discussão que aconteceu durante a 7ª edição do Café da Manhã com a Imprensa, realizada pelo Sindicato Rural de Campo Grande (MS), na última sexta-feira (26/10).

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, Gelson Feijó, explicou que a cada quatro animais abatidos, um representa lucro líquido para o frigorífico, em função do completo aproveitamento dos subprodutos, como sebo, couro e miúdos, sobre os quais o produtor não recebe qualquer remuneração.

Segundo Gelson Feijó, os frigoríficos conseguem lucratividade por meio da comercialização desses produtos e que não são pagos aos pecuaristas. "Se a indústria dependesse somente da venda da carcaça, teria prejuízos, pois entre o que ela paga e o que vende aos varejistas, perde pelo menos 2%", afirma Feijó. O pesquisador comprovou a afirmação apresentando dados de um frigorífico que paga R$ 936,00 por uma carcaça e a vende a R$ 906,00, ao varejo.

"Desta forma fica evidente que é com os subprodutos do boi que as indústrias conseguem obter lucratividade, que por sua vez vai depender da eficiência da própria indústria na exploração e busca por clientes para esses subprodutos", esclarece o pesquisador.

Segundo Feijó, os estudos demonstraram que em toda a cadeia produtiva da carne, quem fica com a maior parte do lucro é o mercado varejista. "Eles pagam, em média, R$ 4,00 por quilo de carcaça, e vendem a R$ 14,00 o quilo do filé, e de R$ 14,00 a R$ 20,00 o quilo da picanha", revela.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, José Lemos Monteiro, o fato de as indústrias frigoríficas pagarem apenas pela carcaça só ocorre no Brasil. "Em todo o mundo o produtor é remunerado pelo quilo vivo do boi. Apenas aqui somos pagos pela carcaça, sendo que produzimos o sebo que vira sabonete, biocombustível; o couro que se transforma em calçados e muito mais", pondera ele.

Monteiro informa também que o couro, hoje, é o principal subproduto de origem bovina, representando cerca de 17% do peso de um animal, ou o equivalente a 40 quilos se tomarmos como exemplo um animal padrão de 240 quilos. "Este couro é exportado para vários países, rendendo mais de US$ 2 bilhões ao ano, mas nada é repassado ao criador", afirma o presidente do sindicato. Outro subproduto bastante valorizado são as pedras retiradas da vesícula biliar do animal, que depois de processadas são utilizadas para estimular ostras a produzirem pérolas.



Fonte: CNA
  
 
 
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